Relação entre Alterações comportamentais e Sensoriais

As manifestações comportamentais da criança com Transtorno de Espectro Autista podem gerar angústia para as pessoas que convivem com ela, pois, muitas vezes, parece não haver uma razão aparente para as situações de descontrole. Frequentemente, as crianças com TEA respondem ao ambiente com irritabilidade e agressividade.

O comportamento agressivo pode ser expresso de diversas formas:

– pela via motora, através de movimentos de ataque ou fuga;

– pela via emocional, com a experimentação de sentimentos de raiva e ódio;

– pela via somática, com sensações de taquicardia, rosto ruborizado, além das demais reações autonômicas;

– pela via cognitiva, através de crenças de conquistas sem que importem os meios, ou seja, planos de ação que envolve a manipulação do meio;

– e pela via verbal, da qual o indivíduo vai utilizar-se do sentido das palavras para expressar controle em relação aos outros.

No TEA, as reações exageradas de irritabilidade e agressividade podem estar relacionados à:

   – Distorções de interpretação do ambiente social;

   – Hipervigilância e hiperesponsividade;

   – Dificuldade no processo de solução de problemas (planejamento);

   – Déficits em habilidades empáticas;

   – Dificuldade de autocontrole/déficit na inibição de respostas impulsivas;

   – Presença de ansiedade;

   – Alterações sensoriais.

As alterações sensoriais presentes na criança autista compõe o grupo das principais causas de desorganização e descontrole comportamental. Nem sempre as pessoas conseguem identificar o que causou tal reação, pois esta está diretamente ligada à forma como a criança percebe e integra sensorialmente os estímulos externos. Neste aspecto, a Terapia Ocupacional avalia e intervem com crianças e adolescentes que apresentam alterações sensoriais e comprometimentos na rotina diária, social e em sua vida acadêmica.

As crianças e adolescentes com Transtrono do Processamento Sensorial (TPS) podem ter dificuldades em perceber, registrar, integrar e responder de uma maneira satisfatória aos estímulos. Em razão disso, muitas vezes apresentam um sentimento de desorganização interna que lhes dificulta lidar com algumas situações do dia-a-dia. Como por exemplo, nas Atividades da Vida Dária (AVD): ao cortar as unhas, cortar o cabelo, na alimentação (seletividade alimentar), na higiene pessoal (desfralde, banho, escovação dos dentes, uso de desodorante), e também na atenção e concentração para a realização das atividades escolares e na interação social.

Quando essas crianças ou adolescentes respondem de maneira “inadequada” ao ambiente, com birras, choros ou agressividade, elas podem estar sofrendo com uma sobrecarga sensorial.  É preciso ficar atento para ajudá-los e orientar os cuidadores, professores e mediadores.

Utilizando o método de Integração Sensorial, o terapeuta ocupacional vai oferecer a Dieta Sensorial (estratégias sensorias) para a famlília e a escola organizar sensorialmente a criança e o adolescente para conseguir realizar suas atividades.

No aspecto comportamental a Psicologia vai avaliar e intervir de forma a favorecer que a criança compreenda as suas dificuldades e aprenda a lidar com elas, bem como estabelecer um melhor autocontrole, de forma a reduzir reações intensas e agressivas, e favorecer reações mais adequadas para lidar com as suas sensações.

A interface entre as especialidades clínicas favorece a compreensão, por parte dos profissonais envolvidos, das situações de desorganização, auxiliando o manejo mais adequado da criança e orientações mais acertivas para pais e cuidadores.

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