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Neste post, a última parte de meu histórico, discorro sobre meu primeiro emprego e a retomada de meu tratamento.

Em maio de 2014, eu e minha família decidimos que eu retomaria o tratamento com a Dra. Catula, e passei a ser também acompanhado pelo Dr. Caio Abujadi, devido à questão do sono ruim e das obsessões (que, infelizmente são muito comuns em pessoas Aspergers). O Dr. Caio, aliás, me passou um remédio (Aristab, ao qual eu me refiro jocosamente como “meu amigo hindu”, como o filme, devido ao nome do remédio soar como um nome próprio/pessoal de origem indiana), e dois suplementos (Melatonina e Ômega 3). Achei que não precisaria NUNCA tomar remédios. E foi necessário que eu e minha família compreendêssemos muito bem a importância do mesmo antes de iniciar. Inicialmente, o Aristab me deu alguns efeitos colaterais, como dormir mais do que o normal/necessário, mas estes passaram com o tempo, e hoje em dia estou muito bem adaptado ao remédio.

Ao mesmo tempo em que retomei o tratamento, fiz alguns exames, e foi confirmado mesmo que eu era um Asperger. A dúvida que me surgiu na adolescência, se eu era Asperger ou autista de alto funcionamento, estava solucionada.

As obsessões, claro, desapareceram como a gota d’água que é atirada sobre o ferro quente.

No início desta etapa do tratamento, as consultas eram à tarde, e, de alguma forma ainda dependia de minha mãe para me acompanhar, devido à distância/localização. Mas, depois de um tempo indo à tarde, passei a ir de manhã e foi aí que comecei a ir sozinho, estimulado por minha família, pela importância de minha autonomia.

O acompanhamento dos Transtornos do Espectro Autista, devo ressaltar, é algo que não é só do paciente, é também algo que precisa do envolvimento dos familiares mais próximos.

Foi também em 2014 que apresentei meu trabalho de conclusão de curso da faculdade, sobre Folksonomia e Organização do Conhecimento. No entanto, minhas formaturas (tanto a oficial quanto a de “brincadeira”, que era a festa de formatura em si) foram no ano seguinte, 2015.

Com o fim da faculdade, comecei a ansiar por um primeiro emprego, e tentei alguns concursos públicos, sem sucesso, entre 2015 e 2016.

Porém, entre abril e maio do ano passado, pessoas ligadas à Artplan, uma grande agência de publicidade brasileira (cujo produto mais conhecido, além de suas ações de publicidade como a da Caixa – eles criaram o bordão “Vem pra Caixa você também!” – é o Rock in Rio, um dos maiores festivais de música do mundo), em parceria com o Priorit, entraram em contato com a Dra. Catula e ela falou de mim para eles, e eles decidiram tentar me contratar. Quando soube disso, me senti absurdamente surpreso, e, ao mesmo tempo, um pouco inseguro, pois isso iria alterar minha rotina drasticamente, seria uma nova experiência para mim, onde eu teria que aprender a lidar com um novas rotinas, novas pessoas, enfim.

Duas semanas depois de receber a notícia de que eles queriam me contratar, duas pessoas da agência vieram à clínica para me conhecer (e, claro, me entrevistar – e eu não sabia que estava sendo entrevistado).

Acabei indo muito bem na entrevista. Fui contratado. Comecei a trabalhar em maio do ano passado. Nem acreditava no que estava acontecendo. Um golpe de sorte, literalmente.

Há quase um ano que trabalho como assistente administrativo júnior no setor de TI da matriz da Artplan, situada no Rio de Janeiro. Estou satisfeito com meu trabalho, mas continuo a amadurecer o desejo de, no futuro, trabalhar como bibliotecário ou algo mais próximo da minha formação.

Ainda assim, como Fernando Pessoa, o lendário poeta português, disse em seu leito de morte, “I know not what tomorrow will bring” (ou, em bom português, “não sei o que o amanhã me trará”). Ou, como eu disse para uma professora de uma matéria que eu tive no primeiro período da faculdade, logo no primeiro dia de aula da matéria dela, “vamos ver no que vai dar”.

Além disso, a minha luta não só para me inserir no mundo, mas também para aceitar a mim mesmo como sou e a desenvolver a minha consciência e a minha empatia tem continuado a cada dia, muito embora tenha se intensificado nos últimos anos de minha vida através, no meu caso, de novas amizades. Estas pessoas (não citarei nomes) têm me estimulado bastante e me têm ajudado a “despertar” para o mundo em que vivo.

Por conta disso, e também do papel de pessoas como família, terapeutas etc. em meu desenvolvimento, no próximo artigo, eu começarei uma outra série; desta vez, tratando sobre as pessoas que podem ter alguma influência sobre a formação pessoal. No primeiro artigo de tal série, falarei sobre a importância da família.

Estou esperando vocês. Até a próxima!

One Response to Minha estória – Parte 5 (final)
  1. Olá! Fiquei emocionada com a sua história. É muito bom e confortante conhecer um pouco uma trajetória como a sua, para quem, como eu, tem uma criança linda, autista. Os medos e incertezas são muitos. Não passa, mas ajuda a enfrentar comais leveza. Abraços.


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