Desde que comecei a narrar aqui no Blog nossas aventuras e desventuras com a chegada da adolescência,  venho me surpreendendo com as inúmeras  mensagens enviadas por famílias de autistas que também estão passando por esta fase tão delicada .

Neste post, listei 7 dicas que considerei "top ten" no ranking da sofrência materna na fase da adolescência .

1) Apenas mais uma fase:
A adolescência é apenas MAIS uma fase e irá passar!
Sim, pode respirar fundo e comemorar; ela irá embora!
A parte chata é que a gente não sabe quando...

2) Esta é uma situação que está longe de ser uma "exclusividade" de sua família:
Sei que muitas vezes pode parecer que apenas nós estamos passando por isso, mas vale perceber que ao redor, muitos outros também estão passando pela mesma situação.
Por mais tolo que isso possa lhe soar, saber que outras pessoas enfrentam a mesma problemática, alivia a sensação de carregar o mundo nas costas e, portanto, ter isso em mente tornará as coisas um pouco mais fáceis. 

3) Limites, limites e limites: 
Durante este período crítico, mais do que nunca, você precisará impor limites ao seu filho/filha. 
Adolescentes, autistas ou não,  precisam de limites para crescer e desenvolver suas potencialidades e individualidades com segurança.
Muito embora saibamos que a imposição de limites constitui uma das mais difíceis tarefas da educação, a adolescência NÃO é, nem de longe, o melhor momento (se é que existe algum!) para se abrir mão deles.
Obviamente, este item deve ser acrescido de um PLUS: devemos saber reconhecer e identificar os momentos certos para impor estes limites, sabendo diferenciar as questões da adolescência das típicas questões do autismo.

4) Paciência, paciência, paciência:
Não. Definitivamente, ser paciente não é fácil, mas sem dúvida é fundamental!
Devemos procurar manter em mente que NÓS somos os adultos e que, supostamente, estamos (ou deveríamos estar!) no controle na situação. Se "entrarmos na pilha" de nossos filhos, a coisa irá desandar.
Adolescentes, sejam eles autistas ou não, são extremamente habilidosos em testar limites, todo o tempo, desafiando-nos em um jogo de nervos, onde devemos mostrar autoridade sem perder o autocontrole e o bom senso.
Se isso é fácil? NÃO!
Confesso a vocês leitoras que, mesmo agora, convivendo com a adolescência pela segunda vez, me vejo acertando e errando quase que na mesma proporção. 
Não existe uma fórmula mágica ou receita para dar certo. Entretanto, uma coisa é certa: perder o controle é "meio caminho andado" para dar errado.

5) Adolescentes também sofrem:
Você consegue lembrar minimamente do período de sua adolescência?
Do quanto você se angustiava, muitas vezes aparentemente sem motivo e sentia vontade de "brigar" com o mundo, por tudo e por nada?
Você se recorda de como seu corpo cresceu e se desenvolveu, de forma até mesmo desengonçada e assustadora, da noite para o dia, sem que você soubesse direito o que estava acontecendo e muito menos como lidar com seu novo eu?
Pois é!
Imagine agora, que nossos filhos passam por todas estas grandes transformações trazidas pela adolescência, acrescidas ainda por todas as questões e dificuldades oriundas do autismo.
Portanto, é natural e compreensível que eles tenham uma dificuldade maior em lidar com estas  mudanças!
Devemos atentar para as alterações de humor, tão constantes na adolescência e que em jovens com autismo podem agravar- se, transformando-se em crises "gigantescas" de humor, com as quais, inúmeras vezes, as famílias, os amigos e a escola têm muita dificuldade em lidar.
Portanto, lembre-se: esta fase também está sendo difícil para seu filho/filha. Mesmo que ele não verbalize explicitamente esta dificuldade, tenha certeza de que ele também está confuso e precisa de ajuda, tanto quanto você. 
  
6) Divirta-se:
Não, você não leu errado. 
Aproveite esta fase de seu filho para se... DIVERTIR! 
Pode não parecer, mas muito em breve a adolescência irá passar e você sentirá falta (não dela!) das tiradas divertidas e momentos inusitados que esta fase traz.
A vida é breve e passageira. Portanto, aproveite e curta todos os momentos de seu filho, até mesmo durante a adolescência.

7) Não é pessoal!
Muito embora possa parecer que seu filho/filha esteja implicando com você de forma deliberada, isto NÃO é verdade. O conflito entre as gerações acontece há muuuuito tempo e atinge a todos. 
Este conflito ou choque entre gerações é algo inevitável e, segundo especialistas, pode ser uma experiência proveitosa e enriquecedora para toda a família, se soubermos tirar proveito das lições que esta fase nos traz .
Algo do tipo "o que não me mata , me fortalece ".

Reconheço que todas estas dicas listadas parecem simples e extremamente fáceis de ser seguidas; no dia a dia, os roteiros se perdem e os imprevistos e percalços nos tomam de assalto,  sem que, muitas vezes, tenhamos tempo sequer de respirar. 
Existem dias em que nossa convivência com a adolescência se dá de forma pacífica e ordeira.
Em outros momentos, nem tanto...

Portanto, já que teremos que conviver com "ela"  nos próximos 4 , 5 ou 6 anos, o ideal é que essa convivência aconteça da forma mais saudável possível, pois nossos filhos são os maiores beneficiados desta relação e afinal de contas, se o autismo não foi capaz de nos "derrubar", tampouco a  adolescência será páreo para nosso AMOR de MÃE.

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