Quando os ponteiros do relógio marcarem meia-noite amanhã e já estivermos no dia 13 de Dezembro, completarei 45 anos de idade.  Mas, puxa, como assim?

QUARENTA E CINCO anos é muita coisa! Como é que o tempo passou tão rápido e eu não vi? Onde é que estava que não percebi a velocidade que minha vida passava e não me dei conta?

Sou invadida por milhares de lembranças. Momentos vividos, aromas, perfumes, sensações…
Ainda ontem, eu era uma  garotinha de pés descalços que adorava jogar “queimado” e brincar de pique.

Nem bem pisco os olhos, a menina de longos cabelos loiros e da feliz infância se despede de mim e passa correndo, cedendo lugar à jovem universitária idealista que sonhava em mudar o mundo. Mas a universitária não se demora além do necessário, porque sabe que precisa ceder espaço para as “outras” que virão atrás dela e, em um aceno, vejo-a partir com os olhos cheios d’água. E tinha muita gente boa por vir…

A Denise profissional e a Denise mãe conviveram harmoniosamente por um bom tempo. Até que o diagnóstico de autismo tirou uma delas de cena. Até hoje não me arrependo ou lamento pela decisão que tomei.

Mas, caramba! QUARENTA E CINCO anos é muito tempo! Fazendo um balanço: deu tempo para realizar muitas coisas. Tropecei, caí, levantei e segui em frente, sempre mantendo em mente que o erro fazia parte do processo para alcançar meu objetivo e que não importava quantas vezes eu errasse; o importante era não desistir de lutar.

Nas “esquinas” da vida, por diversas vezes, me deparei com inúmeras armadilhas que aguardavam por mim,  ao longo destes anos. Afinal, o destino prega peças em todos nós. Enfrentei cada uma destas armadilhas,  muitas vezes sem nem saber ao certo do que se tratava. Alguns acreditam que sou resiliente. Penso mesmo é que sou teimosa! Teimo em ser feliz! Teimo em acreditar que vai dar certo!

A grande verdade é que nos últimos anos 11 anos, procurei desconstruir-me de quaisquer julgamentos ou juízos de valor a meu respeito e a respeito do próximo, fosse este próximo quem fosse. Este foi um dos ensinamentos que aprendi com meu filho caçula João Pedro, que tem autismo.

Aprendi muitas “lições” e ainda as aprendo, todos os dias, com as mais variadas pessoas, das mais diversas formas. Gosto de gente. Gosto de conversar com pessoas  e poder aprender com cada uma delas; me enriquece e me faz sentir viva.

Não sou especial, nem diferente. Sou apenas o que sou.

Sabe de uma coisa? Minha vida esteve longe de ser um modelo de perfeição, mas tampouco almejei que isto acontecesse.

Nestes 45 anos, tive vitórias e fracassos, mas me orgulho de ambos, pois fazem parte de minha história. Os louros da vitória devem ser comemorados, mas as cicatrizes que cada batalha deixou não podem ser desmerecidas, porque são faces da mesma moeda.

Mas, afinal, onde é que eu estava este tempo todo que não percebi minha vida passando? Eu estava VIVENDO!

Eu estava amando, sofrendo, trabalhando, estudando, caindo, levantando, vencendo, perdendo, gerando, permitindo-me VIVER a vida em todas as suas nuances e cores, suas dores e amores, aromas e sabores.

E agora, aos 45 ( anos) do segundo tempo, muito embora as rugas insistam em aparecer, não me troco pela jovem de 18 que já fui um dia!

Ah! Mas olha só: nesta viagem que fiz escrevendo este post, acabei encontrando todo “mundo” morando aqui dentro: a menina de pés descalços da infância, a universitária, a profissional e etc. Todas elas sempre estiveram em minha mente, minha alma.

Porque no coração desta quarentona sempre haverá espaço de sobra para muito AMOR!

Denise Aragão

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