Não sabemos em que momento a música surgiu na vida dos seres humanos. Muito provavelmente, ela é mais antiga que a própria história da Humanidade, pois certamente já existia antes mesmo do homem desenvolver sistemas primitivos de comunicação e linguagem.
Recentemente, terapias comportamentais com uso de música foram incorporadas ao repertório de intervenções terapêuticas, baseadas em evidências científicas para pessoas no transtorno do espectro autista. Isso aumentou o interesse da neurociência pelo tema.
Há muitos anos, reconhecemos seu impacto no cérebro. Não somente funcional, mas a música também atua sobre a morfologia cerebral. Estudos de ressonância magnética estrutural e funcional demonstram alterações no cérebro de grandes músicos profissionais quando comparados aos cérebros de não músicos. Isso sugere fortemente que a exposição à música, sob determinadas contingências, pode estimular a plasticidade cerebral, potencializando seu desenvolvimento.
Para termos ideia de como a percepção de uma música interfere em outras áreas do córtex cerebral, basta lembrarmos que, enquanto estamos ouvindo uma determinada canção, somos capazes de ativar a área motora cerebral, sincronizando o ritmo com a movimentação de nossas pernas enquanto dançamos. Existem muitos estudos publicados a respeito desse modelo de interação entre audição musical e padrões motores cerebrais (integração funcional entre o córtex auditivo musical e o córtex cerebral motor).
Outro aspecto interessante também é a integração entre música e linguagem, uma vez que ambos se utilizam de modificações de padrões sonoros, tanto para produzir música quanto fala. Desse modo, estudos também já foram capazes de documentar a influência sobre o desenvolvimento de linguagem falada em cérebros em desenvolvimento.
Talvez um dos aspectos mais conhecidos relacionados à música seja a sua capacidade de provocar emoções nos ouvintes. Estudos com ressonância magnética funcional realizados em pessoas durante a audição de determinadas canções demonstra de modo inequívoco a relação entre estimulação musical e o sistema cerebral das emoções contido nas profundezas do lobo temporal.
Sem dúvida, este é um assunto extenso e fascinante, com todo um potencial terapêutico que tem se mostrado um grande campo para a pesquisa na neurociência. Gostou do tema? Leia mais artigos no nosso blog “Autismo para pais“!
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