Para iniciarmos nosso bate papo semanal, escolhi falar um pouco mais a respeito deste espécime, no mínimo, curioso: o “Bicho Mãe”.
Um ser que, dentre outras mil e uma características, é dotado de culpa pela (também!) Mãe Natureza .
A mãe é culpada até que se prove o contrário! É interessante analisarmos que sentimos culpa antes mesmo de nos tornarmos mães. Quando estamos tentando engravidar e a gravidez por vezes demora – ou ainda, quando nós, ansiosas, achamos que está demorando – estamos sempre sentindo uma pontinha de culpa que seja. Afinal o que estamos fazendo de “errado”?
Sentimos culpa antes, durante e depois!
Quando somos premiadas/abençoadas com a gravidez, recebemos juntamente com o resultado positivo um item extra, de série, do nosso kit maternidade: a culpa.
Uma série de medos, angústias que, na verdade, nunca mais nos deixarão: somente serão substituídos por outros e assim por diante. Será que eu posso comer isso? Será que eu devo fazer aquilo? Devo comer por dois? Posso continuar a malhar? Será que o bebê está se desenvolvendo normalmente? Será, será, será…
Uma infindável lista de serás.
São tantas as dúvidas, tantos os receios…
O primeiro ultrassom, as batidas daquele coraçãozinho que você sabe que é uma extensão do seu, o crescimento diário da barriga…
Uma profusão hormonal e tanto! E é normal que sintamos medo. As novidades sempre assustam no início.
O momento do nascimento é sempre muito sonhado, aguardado com muita ansiedade! Afinal, queremos saber se o bebê está bem, se ele ou ela é perfeito.
Perfeito, perfeição…
É engraçado, mas estas palavras adquiriram um novo significado para mim. Escrevê-la hoje, seis anos após o diagnóstico de meu filho, é libertador (ou me dá uma sensação de liberdade). Mas este é um assunto para um próximo momento.
Voltando às mães: depois do nascimento, nossa vida NUNCA mais será a mesma. Quando falo nunca, quero dizer NUNCA mesmo! Quantas vezes, muitas de nós nos pegamos pensando no quão sem importância era a nossa vida sem nossos filhos? Chego até mesmo a me perguntar como foi que consegui viver tanto tempo (25 anos no meu caso) sem eles, sem a maravilhosa experiência da maternidade.
Em diversas ocasiões já ouvi de várias pessoas que a maternidade é uma missão quase impossível. E é!!! Principalmente nos dias de hoje, quando a mulher enfrenta muitas vezes uma jornada dupla, ou até mesmo tripla, de trabalho.
Ah! E sem contar que temos que desempenhar com perfeição e maestria cada um de nossos muitos papéis. Somos mulher, filha, esposa, namorada, amante, profissional e mãe. E dentro da categoria mãe, existe ainda uma subdivisão de funções, como: médica, enfermeira, psicóloga, professora, nutricionista, economista, cabeleireira (taí uma função que eu, cabe a ressalva, desempenhei durante muitos anos com louvor).
E no meio deste turbilhão de funções, temos que estar lindas, magras, escovadas, bem arrumadas e sempre BEM humoradas e dispostas.
Haja estrutura emocional para aguentar tudo isso! E como era de se prever, iremos “falhar” em alguns destes muitos papéis. É natural, é normal, é compreensível, previsível e, principalmente, HUMANO.
Não devemos nos esquecer de que, antes de tudo, somos seres humanos, em toda a amplitude de sua essência! Somo falhos e não perfeitos!
Nós mães nos sentimos responsáveis por quase tudo que acontece no mundo. Acredito que soframos de algum tipo de egocentrismo e achamos que, de uma forma direta ou indireta, somos responsáveis por tudo e por nada. E na longa história de existência do espécime Mãe , sempre existiram , existem e hão de existir (infelizmente) indivíduos que vão achar e jurar de pés juntos que a culpa é dela, da mãe, contribuindo para que este sentimento se instale cada vez mais dentro de nós.
Mas, mesmo com todos estes temores, dúvidas, angústias e carregando sobre os ombros o peso do mundo, vale a pena ser mãe!
É maravilhoso! Mesmo dormindo, sonhando e acordando com culpa…
Queremos que nossos filhos sejam o que sonhamos, queremos realizar os sonhos deles, queremos fazê-los felizes e estamos certas de que temos que criar condições para isso! E, apesar disso, sempre teremos a nítida sensação de que podíamos ter feito um pouquinho mais.
O mês de maio ainda está longe no calendário e, neste mês, conforme nossa tradição, comemoramos o Dia das Mães. Mas (perdoem-me o clichê, foi impossível evitar!) nós sabemos que o Dia das mães é todo dia.
Cada vez que um filho sorri, a mãe ganha o dia!
Feliz dia das Mães para todas nós! Um brinde às mães deste país!
Denise Aragão
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