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Os olhos são o espelho da alma.

Nossa conversa de hoje surgiu de uma lembrança que me ocorreu dia desses. Por um momento, aguardando para ser atendida em uma fila, fiquei observando um menino, de aproximadamente 2 anos de idade, e sua mãe.

A troca de olhares entre ambos era tão intensa, amorosa e profunda que a sensação que se tinha ao observar aquele cena era  a de que somente existiam os dois no mundo, mais nada ou ninguém. Esta visão me remeteu ao passado. Um passado dolorido, cujas feridas vêm cicatrizando aos poucos, lentamente…

Uma das primeiras mudanças gritantes no João Pedro foi o seu olhar. Ele, que sempre teve um olhar alegre, interativo e até mesmo penetrante, começou a não olhar mais em nossos olhos, e sequer olhava para nós. E quando o fazia era de forma vaga, vazia. Costumo dizer que ele olhava através das pessoas. Era um olhar frio, gélido, impessoal. E a cada tentativa frustrada de chamar sua atenção, mais um pouco de nosso contato ocular se dissipava.

O olhar …um olhar …AQUELE olhar. Nada me impressionou e me marcou tanto, dentre todas as características de autismo de meu filho, quanto o olhar vazio, de quem olha e não vê,de quem olha através, um olhar de olhos sem brilho …
Diz o provérbio: “Os olhos são o espelho da alma ”

Partindo desta premissa, onde estava meu filho ? Para onde ele tinha ido? Em que lugar ele se refugiava e me negava acesso? Por que seus olhos vazios não me permitiam encontrá-lo, por mais que eu me esforçasse? Eu estava perdendo o meu filho. A cada dia isso ficava mais e mais evidente.

Eu levei um tempo até perceber que este “fenômeno” da ausência de olhar era ocasionado pelo quadro de Autismo.  Aquele olhar que me dava arrepios era um dos sintomas do TEA              (Transtorno do Espectro Autista).

Mas havia caminhos para resgatar o que havíamos perdido! Junto com o diagnóstico, vieram as orientações das terapeutas para incentivá-lo a buscar novamente o contato ocular. Eu usava perucas coloridas, óculos divertidos e nariz de palhaço!

Sempre que possível, quando precisava falar com ele, eu me ajoelhava em sua frente – para ficar na mesma altura de seu olhar – e desta forma, fazer com que ficasse mais fácil manter o contato ocular. E as conquistas vieram! E o olhar de meu menino voltou!

E a partir de então, eu me dei conta de que a linguagem do olhar é a mais pura que existe. Compreendi que existem momentos em que as palavras são dispensáveis…

E eu que tanto ansiava em ensinar coisas novas para ele, é com que ele que aprendo que, na linguagem do Amor, o silêncio de um olhar é repleto de significado, enquanto as palavras são meras coadjuvantes, perdidas ao vento…Só os anjos sabem disso …

E o olhar de nossos anjos é a mais pura expressão do Amor de Deus…

Denise Fonseca de Jesus Aragão

Recomendo uma audição atenta da música de Vinicius de Moraes, no link http://www.youtube.com/watch?v=5rAVg3FP_3c.  Poesia pura que se encaixa como uma luva em nossos anjos de amor!!!

 

E você? Que sintoma ou característica do TEA / Autismo de seu filho chamou mais sua atenção, e o que você fez ou ainda faz para transformar esta situação?
Entre em contato conosco! A sua experiência pode ser valiosa para outra família!

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